Segundo turno das eleições de 2022 teve mais votos depois das 17h do que em 2026
Mesmo com encerramento da votação às 17h, eleitores que já estavam na fila no momento ainda poderiam votar. Em 2022, mesmo com número de votos depois do encerramento sendo maior, não houve prorrogação da votação como ocorreu neste ano
No segundo turno das eleições de 2022, foram registrados 41.025 votos depois das 17h, ou seja, 6.632 votos a mais do que o mesmo período do segundo turno da disputa em 2026, realizado no domingo (25). Neste ano, 34.393 votos foram depositados após o horário.
Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e foram disponibilizados pela Coordenadoria de Arquitetura, Identificação e Inovação, órgão do próprio tribunal, em despacho divulgado nesta quinta-feira (29).
Em 2022, não houve prorrogação do segundo turno como em 2026. Porém, mesmo assim, foram depositados 19,3% mais votos do que neste ano, em que o horário de encerramento da votação foi adiado por determinação do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Como estabelecido pelo Código Eleitoral, as 17h é o horário oficial de encerramento da votação. Porém, na prática, o horário significa realmente o limite para que os eleitores cheguem à fila para votar. Isso porque quem já estava na fila no momento pode continuar para depositar o voto na urna eletrônica.
Esse é, inclusive, o motivo para que votos tenham sido contabilizados depois das 17h em outubro de 2022.
O caso é diferente do de 2026, porque, além dos eleitores que já estavam na fila quando encerrou o horário, a decisão do ministro Zanin prorrogou o prazo para votar por duas horas a mais, ou seja, até as 19h.
De acordo com o TSE, o número de votos que foram depositados nas seções que ficaram abertas até as 19h e que foram, de fato, impactadas pela decisão é ainda menor: 4.773 votos.
A diferença no número -sendo que em 2022 foram contabilizados mais votos, mesmo sem a prorrogação- mostra como a decisão não interferiu de forma relevante no resultado da corrida presidencial. Na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de 4,43 milhões de votos.
Ao proferir a decisão, Zanin acatou um pedido da campanha de Lula, que solicitou a prorrogação porque eleitores em vários estados relataram dificuldades com o transporte público no momento das eleições, o que teria os impedido de votar.
Em um primeiro momento, a campanha petista fez o pedido ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que não se manifestou até as 17h. Além de Lula, a defesa de Flávio Bolsonaro também fez o mesmo pedido à corte eleitoral.
Após a determinação de Zanin, Kassio se reuniu com outros integrantes do TSE e decidiu que o horário só seria estendido nas seções em que a votação ainda não havia sido concluída e em que as urnas permaneceram abertas.
Embora o número de votos depositados após as 17h não tenha sido o fator para a vitória de Lula, o senador Flávio Bolsonaro contestou o resultado das eleições, ignorando o fato de que a sua campanha também pediu a prorrogação.
Em seu primeiro pronunciamento após a divulgação do resultado, Flávio disse que "é impossível aceitar o resultado dessas eleições" e afirmou que pediria a anulação das eleições. Um dia depois, o senador recuou e o seu partido, o PL, aceitou o resultado, destacando que não pediria mais a anulação.
Contudo, na tarde de quarta-feira (29), Flávio divulgou uma carta assinada por ele próprio em que ele se autoproclamava "líder do Brasil". Em um primeiro momento, o documento falava em "verdadeiro presidente eleito do Brasil", mas o trecho foi alterado posteriormente.
A narrativa de que a eleição teria sido fraudada foi defendida por alguns aliados, como Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), porém não por todo o partido. O próprio coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraudes nas eleições porque "não há provas nesse sentido".
Além de Marinho, outros aliados de Flávio também se manifestaram pelo respeito ao resultado às urnas, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que afirmou que "a eleição acabou" e que "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".