Prédio abandonado vira ponto de risco e acende alerta sobre segurança de estudantes em Porto Velho
Estudantes foram flagrados no alto de uma estrutura sem portas e janelas; episódio levanta questionamentos sobre acesso ao imóvel, acompanhamento e prevenção de acidentes
Um prédio abandonado localizado na Avenida Rio Madeira, em Porto Velho, tornou-se motivo de preocupação depois que estudantes da escola SESI foram flagrados no alto da estrutura.
Imagens e relatos sobre o episódio mostram adolescentes em uma área que, pelas condições aparentes do imóvel, não apresenta características de um espaço seguro para circulação. O prédio estaria sem portas e janelas, deixando pontos de acesso completamente expostos.
O caso chama atenção não apenas pela presença dos estudantes no local, mas pelo risco potencial representado por uma estrutura abandonada. Em um imóvel com áreas abertas, desníveis e locais elevados, uma queda poderia provocar consequências graves.
O ponto central: como os estudantes chegaram ao local?
Mais do que registrar a presença dos alunos no prédio, o episódio levanta uma pergunta que precisa ser esclarecida: como estudantes que deveriam estar sob acompanhamento durante o período escolar conseguiram chegar a uma estrutura abandonada nas proximidades?
A resposta é importante para que se possa compreender se houve uma saída não autorizada da escola, se o acesso ocorreu em horário de intervalo, antes ou depois das atividades, ou em outra circunstância.
Sem essas informações, não é possível atribuir responsabilidade individual ou institucional pelo episódio. Mas é possível afirmar que a situação merece apuração e medidas preventivas.
A escola, por sua vez, tem o dever de manter mecanismos de acompanhamento e segurança compatíveis com a proteção de crianças e adolescentes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece entre as incumbências dos estabelecimentos de ensino a articulação com as famílias e a adoção de ações relacionadas à segurança do ambiente escolar.
Um imóvel abandonado não é apenas um problema de acesso
Existe também uma segunda dimensão no caso: a própria condição do prédio.
Um imóvel abandonado e com acessos abertos pode representar riscos que vão além da possibilidade de queda. Estruturas deterioradas, materiais soltos, buracos, instalações elétricas, objetos cortantes, água acumulada e outros elementos podem transformar uma simples entrada no local em uma ocorrência de emergência.
Porto Velho, inclusive, já teve registro oficial de preocupação semelhante.
Em julho de 2018, a Defesa Civil municipal realizou uma vistoria em uma obra abandonada na então Avenida Rio Madeira, após moradores denunciarem riscos relacionados à estrutura. Na ocasião, a Prefeitura informou que havia madeiras deterioradas, água parada e lixo acumulado no imóvel, e que o responsável seria notificado.
O registro histórico não permite afirmar que se trata do mesmo imóvel atualmente mencionado, mas demonstra que estruturas abandonadas naquela região já foram objeto de preocupação relacionada à segurança.
Pais precisam saber onde os filhos estão
O episódio também coloca os responsáveis pelos estudantes diante de uma questão delicada.
Quando um adolescente sai de casa para estudar, existe uma expectativa natural de que permaneça em um ambiente protegido durante o período escolar. Se ele consegue acessar uma estrutura abandonada nas proximidades, essa expectativa precisa ser examinada.
Isso não significa transferir automaticamente a responsabilidade para a escola ou para os pais.
A segurança de crianças e adolescentes envolve uma rede de proteção. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a proteção integral como princípio e assegura aos estudantes o direito à educação em condições que permitam seu desenvolvimento e permanência na escola.
A prevenção, portanto, precisa envolver escola, família e também o poder público quando houver um imóvel que ofereça risco à comunidade.
O que precisa ser esclarecido
Diante do episódio, algumas perguntas são pertinentes:
- O imóvel possui proprietário identificado?
- Há algum tipo de isolamento ou sinalização proibindo a entrada?
- O prédio já foi vistoriado pela Defesa Civil?
- Existe risco estrutural identificado?
- O imóvel fica próximo à escola?
- Como os estudantes tiveram acesso à estrutura?
- O episódio ocorreu durante o horário escolar?
- A direção da escola foi informada?
- Os pais ou responsáveis foram comunicados?
- A escola possui mecanismos de controle de saída e entrada dos estudantes?
- Algum órgão municipal já foi acionado para avaliar a situação do imóvel?
São perguntas que podem ajudar a transformar um episódio isolado em uma ação efetiva de prevenção.
Prevenção antes da tragédia
A legislação brasileira também trata da necessidade de preparação para situações de emergência no ambiente educacional. A chamada Lei Lucas, por exemplo, tornou obrigatória a capacitação de professores e funcionários de estabelecimentos de educação básica em noções básicas de primeiros socorros.
Mas primeiros socorros entram em cena depois que alguma coisa acontece.
O objetivo principal deve ser impedir que o acidente aconteça.
Por isso, a situação registrada na Avenida Rio Madeira merece atenção justamente por permitir uma discussão antes que um eventual acidente transforme o alerta em tragédia.
Não se trata de afirmar que houve negligência por parte da escola ou de qualquer outra pessoa. Trata-se de identificar uma situação potencialmente perigosa, buscar esclarecimentos e verificar se existem medidas capazes de impedir que estudantes voltem a acessar o local.
SESI deve ser ouvido
A instituição deve esclarecer em que circunstâncias os estudantes foram encontrados no prédio, quais providências foram adotadas após o conhecimento do caso e quais medidas existem para impedir que alunos deixem o perímetro escolar sem autorização.
Também é importante buscar manifestação do responsável pelo imóvel, da Defesa Civil e, caso seja constatada situação de risco, dos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização.
O Jornal Rondônia em Questão procurará ouvir os envolvidos para que todos os lados sejam apresentados.
O alerta permanece
Enquanto as circunstâncias do episódio são esclarecidas, uma conclusão é objetiva: um prédio abandonado, especialmente quando apresenta acessos abertos e áreas elevadas, não é ambiente adequado para crianças e adolescentes.
O desafio é agir antes que uma brincadeira, uma aventura ou uma simples curiosidade termine em acidente.
Porque, quando se fala em segurança de crianças e adolescentes, a prevenção não pode começar depois da tragédia.
Veja o vídeo da Denuncia em: Fio da Meada:
Texto; Zecca Paim - Jornalista -DRT 1453/RO
Com Informações de : Fio da Meada https://www.instagram.com/fiodameadaro/