Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Hora Certa

PUBLICIDADE
Brasil agora Redação

Governo cogita reduzir maioridade penal para esvaziar pauta de Flávio Bolsonaro

Proposta do PT prevê idade penal de 16 anos para crimes hediondos e divide a base de Lula às vésperas da votação da PEC da Segurança no Senado

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram
Governo cogita reduzir maioridade penal para esvaziar pauta de Flávio Bolsonaro
(Foto: Ton Molina/Agência Senado)

A base do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia propor uma redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos para tentar esvaziar a pauta de segurança pública defendida pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa é discutida às vésperas da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado.

A sugestão foi apresentada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), como alternativa à emenda do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. A oposição propõe reduzir a idade penal para 16 anos na maioria dos crimes e para 14 anos em casos específicos, como crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

A possibilidade de o PT apoiar uma mudança, ainda que restrita, provocou divergências na base governista. O partido historicamente se posiciona contra a redução da maioridade penal. Senadores petistas se reuniram na quarta-feira (14/10) para discutir a proposta e, até o momento, não há consenso.

A PEC da Segurança está na pauta do plenário do Senado desta quinta-feira (15), mas as divergências podem adiar a votação. O texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) não prevê alterações na maioridade penal. Para incluir o tema, a oposição pretende apresentar um destaque durante a análise em plenário.

Propostas têm alcances diferentes

A sugestão de Camilo Santana estabelece a redução da maioridade penal para 16 anos nos casos de crimes considerados formalmente hediondos, categoria que inclui, entre outros delitos, estupro, homicídio qualificado, latrocínio e extorsão mediante sequestro.

Na justificativa da emenda, o senador argumenta que a mudança aproximaria a legislação brasileira da adotada em outros países e dificultaria o recrutamento de adolescentes por organizações criminosas. Segundo o texto, esses grupos aproveitam a idade mínima de 18 anos para atribuir aos jovens tarefas de maior risco.

A proposta também afirma que a alteração responderia à demanda da população por punições proporcionais à gravidade dos crimes.

A emenda da oposição, por sua vez, prevê uma redução mais ampla. Além de estabelecer a idade penal de 16 anos para a maioria dos crimes, o texto propõe o limite de 14 anos para uma série de delitos específicos.

Flávio Bolsonaro também defendeu publicamente a medida na quarta-feira, durante uma agenda de campanha em Porto Alegre. Rogério Marinho, autor da emenda, coordena a campanha presidencial do senador.

Estratégia divide o PT

A possibilidade de apoiar uma redução restrita representa uma mudança em relação à posição histórica do PT. Entre os argumentos tradicionalmente apresentados pelos contrários à medida estão o risco de sobrecarregar o sistema prisional e a possibilidade de aproximar adolescentes de facções criminosas.

Também há questionamentos jurídicos sobre a alteração. Durante a discussão de uma proposta específica na Câmara dos Deputados, governistas argumentaram que a redução poderia atingir direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.

A proposta de Camilo Santana tem o apoio de parlamentares como Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado, e Eduardo Braga (MDB-AM), que assinou a emenda. Há divergências, porém, sobre como apresentar a mudança: parte dos senadores defende incorporá-la diretamente ao relatório da PEC da Segurança; outros preferem uma proposta separada para contrapor a iniciativa da oposição.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC, tenta mediar as divergências.

Segurança pública entra na disputa eleitoral

Lula passou a impulsionar a PEC da Segurança Pública como uma das bandeiras de seu governo e de sua campanha à reeleição. A área é considerada um desafio eleitoral para a esquerda, que busca ampliar o apoio entre eleitores preocupados com a violência.

A movimentação ocorre em meio à disputa pelo segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente, com 47% dos votos, a campanha petista intensificou as mobilizações e reformulou sua comunicação. Lula passou a adotar o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”.

A oposição, por sua vez, tenta usar a redução da maioridade penal para pressionar os governistas e disputar a agenda da segurança pública. A estratégia também ocorre em reação ao avanço de outra pauta defendida por Lula: o fim da escala de trabalho 6×1, cuja PEC foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14/10).


Jornal Rondônia em Questão
Editorias & Seções