Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Política há 48 minutos Redação

Sílvia Cristina: um capítulo que não termina

O resultado eleitoral encerra uma disputa, mas não apaga a trajetória construída por Sílvia Cristina na Câmara dos Deputados.

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Sílvia Cristina: um capítulo que não termina

A saída da disputa pelo Senado deixa Rondônia diante de uma pergunta: como aproveitar a experiência de uma parlamentar que construiu sua atuação com forte presença na área da saúde?

A eleição passou, as urnas deram seu veredito e Rondônia definiu seus representantes no Senado Federal. Entre os nomes que ficaram de fora está o da deputada federal Sílvia Cristina (PP), que recebeu 304.061 votos, equivalentes a 17,03% dos votos válidos, mas não conseguiu conquistar uma das duas vagas disputadas pelo estado. Os eleitos foram Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid, ambos do PL.

O resultado eleitoral encerra uma disputa, mas não apaga a trajetória construída por Sílvia Cristina na Câmara dos Deputados. E é justamente nesse ponto que cabe uma reflexão política: Rondônia deixa de ter a possibilidade de contar com sua atuação no Senado, mas ainda pode aproveitar a experiência acumulada pela parlamentar em outras frentes da vida pública.

É importante reconhecer o resultado das urnas e respeitar a escolha dos eleitores. Os senadores eleitos têm agora a responsabilidade de representar Rondônia, apresentar propostas e trabalhar pelas demandas da população. Ao mesmo tempo, a não eleição de Sílvia Cristina não significa que sua contribuição política tenha chegado ao fim.

A saúde como marca de atuação

Ao longo de seus mandatos, Sílvia Cristina concentrou parte expressiva de sua atuação na saúde pública, especialmente no combate ao câncer e no apoio ao Hospital de Amor. Sua participação nessa área ganhou dimensão estadual, com articulações e destinação de recursos para serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento oncológico.

Em julho de 2026, por exemplo, a parlamentar anunciou a destinação de mais R$ 42 milhões para o tratamento do câncer por meio da Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Amor. Na ocasião, informou que o total destinado à instituição desde o início de seu mandato havia ultrapassado R$ 220 milhões.

São números que ajudam a compreender por que seu nome está associado a essa pauta em Rondônia. Por trás dos recursos públicos, existem estruturas de atendimento, exames, tratamentos e pacientes que dependem de uma rede de assistência capaz de chegar a quem mais precisa.

Essa atuação não elimina a necessidade de fiscalização sobre a aplicação dos recursos nem dispensa a continuidade das políticas públicas. Pelo contrário: torna ainda mais importante que os investimentos tenham transparência, resultados e condições de continuidade, independentemente de quem ocupe os cargos políticos.

O fim de um mandato não encerra uma trajetória

Sílvia Cristina permanece no exercício do mandato de deputada federal até o término da atual legislatura, em janeiro de 2027, conforme o registro da Câmara dos Deputados. Portanto, ainda há um período de atuação parlamentar antes da conclusão de seu ciclo na Casa.

Depois disso, o futuro dependerá de suas escolhas, das articulações políticas e das oportunidades que surgirem. Uma das possibilidades que podem entrar nas conversas é a participação em uma eventual gestão estadual, inclusive em uma secretaria ligada à saúde ou a outra área compatível com sua experiência. Essa hipótese, entretanto, não deve ser confundida com um convite confirmado ou uma decisão anunciada.

Também é possível imaginar seu nome em futuras discussões sobre a política municipal de Ji-Paraná, cidade com a qual mantém vínculos políticos. Uma candidatura à prefeitura, em outro momento, seria uma alternativa a ser construída e avaliada dentro do cenário eleitoral, e não um desdobramento automático da eleição para o Senado.

O mesmo vale para uma eventual participação no governo de Marcos Rogério: qualquer função dependerá de decisões políticas e administrativas que ainda precisam ser formalizadas.

Rondônia precisa olhar para a frente

A política não se resume a mandatos conquistados ou perdidos. Experiência, capacidade de articulação, conhecimento da administração pública e compromisso com as necessidades da população também fazem parte do patrimônio político de um estado.

A trajetória de Sílvia Cristina coloca uma questão relevante para Rondônia: como manter e ampliar as ações de saúde que dependem de articulação institucional, financiamento e continuidade administrativa? Essa responsabilidade não pertence a uma única parlamentar, mas ao conjunto das instituições públicas e dos representantes eleitos.

A não eleição para o Senado representa uma mudança de planos para Sílvia Cristina e para seus apoiadores. Não autoriza, porém, concluir que sua participação na vida pública esteja encerrada.

O próximo capítulo ainda será escrito. Se seguirá pela Câmara até o fim do mandato, por uma função administrativa, por uma futura disputa municipal ou por outro caminho, somente o tempo e as decisões políticas poderão dizer.

Texto: Paulo Cabral 

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