Luciana Oliveira emerge como nova liderança do PT em Rondônia, foram 96 mil votos em 45 dia
Foram 96.391 votos, o equivalente a 5,40% dos válidos para o Senado. A jornalista terminou na quinta colocação, atrás de Fernando Máximo, Bruno Scheid, Sílvia Cristina e Mariana Carvalho, mas à frente de Acir Gurgacz e dos demais concorrentes.
Luciana Oliveira não conquistou uma das duas vagas de Rondônia no Senado Federal, mas saiu das urnas deste domingo com algo que não possuía quando entrou na disputa: dimensão eleitoral própria.
Foram 96.391 votos, o equivalente a 5,40% dos válidos para o Senado. A jornalista terminou na quinta colocação, atrás de Fernando Máximo, Bruno Scheid, Sílvia Cristina e Mariana Carvalho, mas à frente de Acir Gurgacz e dos demais concorrentes.
O número, isoladamente, já é expressivo. Colocado dentro das circunstâncias em que a candidatura foi construída, ganha outro tamanho.
Luciana entrou na eleição praticamente sem pré-campanha. Passou parte do período anterior na China, teve cerca de 45 dias para apresentar uma candidatura majoritária ao estado inteiro e disputou contra nomes que já carregavam estruturas políticas, financeiras e eleitorais consolidadas.
Ainda assim, terminou com 96 mil votos.
Foi, sob esse aspecto, uma das grandes novidades da eleição de 2026 em Rondônia.
Não porque tenha vencido. Não venceu.
Mas porque saiu de uma posição inicialmente periférica para construir, em poucas semanas, um eleitorado próprio, aparecer nos principais debates, ocupar televisão, rádio e redes sociais, percorrer o interior e colocar seu nome no grupo das figuras que precisarão ser consideradas nas próximas movimentações do campo progressista no estado.
O desempenho também produziu uma fotografia incômoda para qualquer análise superficial sobre o tamanho atual do PT regional.
Luciana teve 96.391 votos para o Senado. Expedito Netto terminou a disputa pelo Governo de Rondônia com 72.851.
São eleições diferentes, com regras diferentes — para o Senado, cada eleitor podia escolher dois nomes — e não cabe transformar a comparação em equivalência matemática. Mas também seria artificial ignorar o significado político de uma candidata recém-lançada terminar a eleição com mais votos nominais que o candidato da própria legenda ao Governo.
Entre os nomes locais do PT, Luciana foi quem alcançou a votação nominal mais expressiva.
Esse resultado a projeta imediatamente para uma nova posição dentro da esquerda rondoniense.
O PT voltou ao centro do debate majoritário
Um dos efeitos mais importantes da candidatura de Luciana Oliveira foi retirar o PT regional do ostracismo político em que a legenda se encontrava nas disputas majoritárias de Rondônia.
Durante a campanha, o partido voltou a aparecer de maneira permanente nos debates ao Senado, nos confrontos televisivos, nas entrevistas, nas ruas e nas redes sociais.
Luciana não passou pela eleição como candidatura protocolar.
Entrou em confronto político, defendeu o governo Lula, questionou votações de parlamentares rondonienses, discutiu a escala 6×1, pedágios da BR-364, saúde pública, agricultura familiar, direitos das mulheres, investimentos federais e a presença do governo federal no estado.
Também transformou sua atuação nos debates em uma das principais vitrines da campanha.
Num estado em que o PL saiu fortalecido das urnas, elegendo Marcos Rogério governador no primeiro turno e conquistando as duas vagas do Senado com Fernando Máximo e Bruno Scheid, a candidata petista conseguiu construir um espaço próprio em meio a uma eleição amplamente favorável à direita.
Os 96 mil votos precisam ser analisados dentro desse ambiente.
Luciana enfrentou uma avalanche eleitoral bolsonarista e, ainda assim, conseguiu estabelecer um núcleo competitivo de votos identificado com sua candidatura e com a defesa do governo Lula.
Militância em torno de um nome
A própria Luciana credita parte fundamental do resultado à capacidade de mobilização construída durante a campanha.
“Eu consegui essa votação porque uni a militância em torno do meu nome”, afirmou.
A frase ajuda a explicar um fenômeno que se tornou perceptível ao longo das últimas semanas da eleição.
A candidatura passou a reunir militantes, candidatos, candidatas, movimentos sociais e apoiadores que começaram a trabalhar de maneira mais concentrada pela eleição de Luciana. Essa mobilização cresceu especialmente depois das primeiras aparições em debates e entrevistas.
O nome ganhou rua.
Ganhou redes.
E ganhou organicidade dentro de um campo político que precisava de uma candidatura capaz de mobilizar a própria base.
Luciana encerrou a campanha sustentando que havia realizado uma trajetória “belíssima, verdadeira e ousada”. Independentemente da leitura partidária sobre o resultado, os números demonstram que ela conseguiu transformar uma campanha curta em capital eleitoral concreto.
Superou Acir sem transformar comparação em confronto
Outro dado chama atenção.
Luciana terminou à frente de Acir Gurgacz, que recebeu 72.490 votos.
A comparação tem peso político porque Acir é um nome histórico da política rondoniense e também faz parte da trajetória profissional de Luciana, que já trabalhou para ele.
Mas o resultado não precisa ser convertido em confronto pessoal.
Na própria reta final, Acir esteve ao lado de Luciana em atividades políticas, especialmente na defesa da candidatura de Lula. Houve parceria política no encerramento da campanha.
É justamente por isso que a votação de ambos pode ser observada pelo que realmente revela: uma candidata estreante numa eleição majoritária conseguiu superar, em votos, uma liderança com longa trajetória estadual e passagem pelo Senado.
O dado fala menos sobre Acir e mais sobre o tamanho que Luciana conseguiu alcançar em 45 dias.
O mesmo raciocínio vale quando seu desempenho é colocado diante de outras mulheres que já participaram de disputas importantes em Rondônia.
Nomes como Ieda Chaves, Jaqueline Cassol e Mariana Carvalho chegaram às respectivas eleições amparados por estruturas políticas, eleitorais e partidárias previamente construídas.
Luciana começou praticamente do zero.
Não alcançou as votações históricas de todas essas candidaturas, mas chegou a 96 mil votos numa eleição particularmente adversa para o campo político que representava e após pouco mais de um mês de exposição efetivamente eleitoral.
Isso muda a leitura do quinto lugar.
Dinheiro não explica sozinho uma eleição
A estrutura financeira também ajuda a dimensionar o resultado.
Luciana disputou contra candidaturas que movimentaram valores significativamente superiores e contaram com redes políticas mais consolidadas.
Dinheiro não elege sozinho. Estrutura também não.
Mas ambos pesam.
E quando uma candidata entra tarde, dispõe de menos recursos que adversários de primeira linha e ainda assim supera 96 mil votos, há um fenômeno político a ser observado.
A campanha conseguiu compensar parte dessa diferença com exposição pública, presença nas ruas, desempenho em debates e mobilização digital.
Luciana apostou no confronto de ideias e numa identidade política clara.
Não tentou esconder Lula.
Fez exatamente o contrário.
Enquanto alguns candidatos buscavam distanciamento de suas próprias referências nacionais ou tentavam modular discursos conforme o ambiente eleitoral, Luciana assumiu até o fim sua identidade política e transformou a defesa do governo federal numa das linhas centrais de sua campanha.
Também evitou direcionar sua campanha para ataques à vida pessoal dos adversários. As críticas mais duras foram concentradas em votos, posicionamentos públicos, decisões políticas e diferenças ideológicas.
No percurso, consolidou frases que ajudaram a construir sua identidade eleitoral.
“Não vou me vender e não vou me render” foi uma delas.
O resultado das urnas demonstra que uma parcela significativa do eleitorado respondeu a esse posicionamento.
Um novo ativo para o PT
Seria precipitado transformar uma eleição em coroação.
Luciana não assumiu automaticamente o comando do PT de Rondônia, não substituiu lideranças históricas nem eliminou diferenças internas que fazem parte de qualquer partido.
Mas seria igualmente difícil fingir que nada mudou.
Mudou.
Uma candidata que entrou praticamente sem pré-campanha saiu com 96 mil votos.
Terminou acima do candidato ao Governo da própria legenda em número absoluto de votos, ressalvadas as diferenças entre os sistemas eleitorais.
Superou um ex-senador.
Conseguiu unificar parcela importante da militância em torno do próprio nome.
Tornou-se presença constante na disputa majoritária.
E terminou a eleição com recall, visibilidade e uma base eleitoral que não possuía 45 dias antes.
Há ainda outro elemento importante nessa conta. O PT saiu das urnas reelegendo Cláudia para a Assembleia Legislativa e elegendo a ex-senadora Fátima Cleide, resultado que também pode ser analisado à luz de uma campanha em que Luciana colocou reiteradamente a presença feminina na política no centro do debate. Ao longo da disputa pelo Senado, sua candidatura deu visibilidade, voz e protagonismo às mulheres, transformando essa pauta em um dos eixos mais constantes de sua comunicação. Não é possível reduzir o desempenho de outras candidatas a um único fator, mas é razoável reconhecer que uma campanha majoritária feminina, com exposição diária em debates, televisão, rádio, ruas e redes, contribuiu significativamente para ampliar esse ambiente político e eleitoral favorável à representação das mulheres dentro do próprio campo petista.
Isso a transforma, objetivamente, em um dos novos ativos políticos do PT em Rondônia.
O desafio daqui para frente será saber o que Luciana, o partido e seu campo político farão com esse patrimônio.
A eleição dela acabou. A presidencial, não.
Com Marcos Rogério eleito governador no primeiro turno e Fernando Máximo e Bruno Scheid escolhidos para o Senado, a disputa estadual foi encerrada.
A eleição para presidente seguirá para o segundo turno.
E é para essa etapa que Luciana pretende transferir a mobilização construída em torno de sua candidatura.
Luciana chega ao pós-eleição também como o nome do campo petista com maior presença nas redes sociais. Essa força digital, somada aos 96 mil votos e à mobilização que conseguiu reunir durante a campanha, pode tornar sua atuação determinante para Lula em Rondônia no segundo turno. Resta saber se ela estará disposta a seguir imediatamente em campanha ou se dará a si mesma o descanso que merece depois de 45 dias de uma disputa intensa.
Depois de agradecer aos 96.391 eleitores, à militância, aos candidatos e candidatas que estiveram ao seu lado e às pessoas que participaram da campanha nas ruas e nas redes, Luciana pede que essa mesma militância permaneça mobilizada.
Agora, o objetivo político é concentrar esforços na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Luciana pede aos apoiadores que estiveram com ela durante os 45 dias de campanha que, no segundo turno, depositem o voto em Lula, número 13.
Por YAN SIMON (DRT 2240/RO) - Informa Rondônia