Quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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Eleições 2026 há 30 minutos Redação

Hildon Chaves quer levar à rede estadual o modelo de Porto Velho

Candidato ao governo propõe expandir para Rondônia a política de alfabetização de Porto Velho, que rendeu o Selo Ouro do MEC — salto de 30% para 95% é dado da própria campanha

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Hildon Chaves quer levar à rede estadual o modelo de Porto Velho

O candidato ao Governo de Rondônia Hildon Chaves (Federação União Progressista), ex-prefeito de Porto Velho, afirma que pretende levar à rede estadual o modelo de alfabetização que adotou na capital. Segundo a campanha, o índice de crianças alfabetizadas na idade certa passou de 30%, em 2021, para 95%, em 2024 — período em que Porto Velho recebeu o Selo Ouro do Ministério da Educação. A proposta entra na disputa eleitoral como principal aposta do candidato na área.

A proposta: um pacto de alfabetização entre o estado e os municípios

O eixo de educação do plano de governo de Hildon prevê uma parceria entre o Governo de Rondônia e as prefeituras para reforçar a alfabetização na idade certa, acompanhar o desempenho por meio de avaliações e reduzir a evasão e a distorção idade-série.

"O aluno não pode passar anos na escola e chegar ao final sem dominar o básico", afirma Hildon Chaves. O candidato também associa a agenda à valorização dos professores e à estrutura física das escolas: "Valorizar professor e cuidar da escola também é política de aprendizagem", diz.

Em agosto, o candidato assinou um "Pacto pela Educação" para o período de 2027 a 2030, apresentado como instrumento suprapartidário de metas e monitoramento anual.

O que é comprovável: o Selo Ouro do MEC em 2024

A parte verificável do discurso é o prêmio. Porto Velho recebeu o Selo Ouro na primeira edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização (CNCA), concedido pelo Ministério da Educação em novembro de 2024. É um reconhecimento oficial, e não uma métrica interna da campanha.

Cabe um esclarecimento que o material de campanha costuma abreviar: o CNCA é um programa federal de regime de colaboração entre União, estados e municípios, ao qual as redes aderem e pactuam metas. O Selo premia o cumprimento dessas metas — portanto, o mérito da adesão e do resultado é da rede municipal, mas o programa em si é uma política nacional, não uma criação local.

O que vem da campanha: o salto de 30% para 95%

Aqui é preciso precisão. O número mais repetido — a passagem de 30% para 95% de crianças alfabetizadas na idade certa — é um dado apresentado pela própria campanha. Reportagens regionais que reproduziram a informação registram que se trata de dado da campanha, sem documentação independente além do Selo do MEC.

O prêmio do MEC é fato. O salto de 30% para 95% é o que o candidato diz. São coisas diferentes, e o eleitor merece saber qual é qual.

O pano de fundo: o estado que o candidato quer mudar

A proposta ganha relevância diante dos indicadores estaduais. Segundo dados do Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO) citados pela campanha, o aprendizado despenca ao longo da vida escolar: cerca de 9 em cada 100 alunos do 9º ano atingiriam o nível adequado em Matemática, e apenas 5 em cada 100 no ensino médio.

Ainda assim, o quadro que descrevem — perda de aprendizagem entre o fim do fundamental e o ensino médio — é coerente com o desafio que a rede estadual enfrenta, e é sobre ele que a proposta de Hildon se apresenta.

O legado apresentado

A rede municipal teria chegado a cerca de 44 mil estudantes e ganhado aproximadamente 7 mil vagas em oito anos; o atendimento na educação especial teria passado de cerca de 1,2 mil para 2,5 mil estudantes; e a Prefeitura teria recebido, em 2022, o Prêmio Brasil Mais Inclusão, da Câmara dos Deputados.

Contexto eleitoral

Nada disso é neutro no calendário: Hildon Chaves é candidato em 2026, e educação é uma das principais bandeiras da disputa pelo governo de Rondônia, na qual concorrem outros nomes.

Levar um resultado de capital para uma rede estadual não é a mesma tarefa em outra escala: é outra tarefa. Uma coisa é alfabetizar a idade certa numa prefeitura com Selo do MEC; outra é reverter a queda de aprendizagem que os próprios números apresentados descrevem entre o 9º ano e o ensino médio, no estado inteiro.


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