Fumaça das queimadas encobre o céu de Porto Velho e acende alerta para a saúde
Poluição provocada por incêndios na Amazônia compromete a qualidade do ar, agrava problemas respiratórios e exige cuidados redobrados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
A fumaça proveniente das queimadas na Amazônia representa um risco à saúde da população de Porto Velho, especialmente durante a estiagem, quando a baixa umidade do ar e a concentração de poluentes favorecem o agravamento de doenças respiratórias. Em episódios de maior intensidade, a fumaça encobre o céu da capital rondoniense ao entardecer e durante a madrugada, reduz a visibilidade e aumenta a preocupação com os efeitos da poluição sobre quem respira esse ar diariamente.
O problema vai além do desconforto provocado pelo cheiro de queimado ou pela aparência acinzentada do céu. A exposição à fumaça pode causar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de quadros como asma e bronquite, além de contribuir para complicações cardiovasculares.
Partículas invisíveis ampliam os riscos
Entre os principais poluentes liberados pela queima de vegetação está o material particulado fino, conhecido como PM2,5. Por ter dimensões muito pequenas, ele consegue penetrar profundamente no sistema respiratório e alcançar regiões dos pulmões, aumentando os riscos associados à exposição prolongada.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis. A exposição também preocupa trabalhadores que permanecem por longos períodos ao ar livre, sobretudo em áreas próximas a incêndios.
Estudo publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública, com dados de municípios da Amazônia brasileira, identificou associação entre a exposição às partículas emitidas pela queima de biomassa e o aumento das internações por doenças respiratórias em crianças e idosos. A pesquisa reforça a importância do monitoramento ambiental e da vigilância em saúde durante os períodos de queimadas.
Dados oficiais mostram impacto na saúde
Em setembro de 2024, a Prefeitura de Porto Velho informou que as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital registraram 1.076 atendimentos por falta de ar em agosto daquele ano, contra 706 no mesmo mês de 2023. Os números foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) em meio ao aumento da poluição provocada pelas queimadas.
O levantamento evidencia a dimensão que os problemas respiratórios podem alcançar em períodos críticos de fumaça. Os dados, entretanto, referem-se a atendimentos por falta de ar e, isoladamente, não permitem atribuir todos os casos exclusivamente à poluição atmosférica.
O Governo de Rondônia, por meio da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), mantém o programa VigiAR, voltado ao acompanhamento dos focos de queimadas e da qualidade do ar. O monitoramento considera, entre outros indicadores, a concentração de material particulado fino, que permite avaliar a exposição da população aos poluentes.
Prevenção reduz a exposição
Diante da presença de fumaça, as autoridades de saúde recomendam reduzir atividades físicas intensas ao ar livre, manter os ambientes internos tão protegidos da fumaça quanto possível e reforçar a hidratação. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem receber atenção especial, principalmente quando apresentam tosse persistente, chiado no peito ou dificuldade para respirar.
Sempre que possível, a população deve acompanhar os boletins oficiais sobre a qualidade do ar e seguir as orientações das autoridades sanitárias. Em caso de falta de ar intensa ou piora importante dos sintomas, é necessário procurar atendimento médico.
Combate às queimadas é parte da resposta
A redução dos riscos depende também da prevenção e do combate aos incêndios florestais e urbanos. Além dos danos à vegetação e à biodiversidade, as queimadas liberam poluentes que podem atingir municípios distantes dos focos de fogo, transportados pelas correntes atmosféricas.
Em uma região marcada pela sazonalidade das chuvas, o monitoramento contínuo, a fiscalização ambiental e a conscientização da população são medidas importantes para reduzir os episódios de poluição. Em Porto Velho, a qualidade do ar permanece uma questão de saúde pública que exige atenção tanto durante os períodos de fumaça intensa quanto nas ações preventivas ao longo do ano.
Por: Zecca Paim- Jornalista DRT 1453/RO