Dois pesos e duas medidas? Empresários questionam bandeiras políticas em canteiros de Rolim de Moura
Comerciantes questionam fiscalização após canteiros centrais receberem grande quantidade de propaganda eleitoral: “Para divulgar nossas empresas não pode, mas na eleição pode?”
A presença de bandeiras e materiais de campanha nos canteiros centrais de Rolim de Moura começou a provocar reclamações entre empresários e comerciantes do município.
O questionamento é simples: por que empresas enfrentam restrições para utilizar espaços públicos para divulgação comercial, enquanto, durante o período eleitoral, canteiros centrais aparecem tomados por bandeiras de candidatos?
A situação tem causado sensação de tratamento desigual entre comerciantes.
Empresários relatam que precisam seguir regras para instalação de placas, faixas e outros materiais publicitários e que não podem simplesmente ocupar canteiros e áreas públicas para divulgar seus estabelecimentos. Com a campanha eleitoral, porém, alguns desses mesmos espaços passaram a receber grande quantidade de bandeiras.
A pergunta que fica é: a legislação permite isso aos candidatos?
Pelo entendimento já adotado pela própria Justiça Eleitoral de Rondônia, a resposta é não.
TRE-RO já considerou canteiro central como jardim público
O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia já consolidou entendimento de que canteiros centrais podem ser equiparados a jardins públicos para aplicação das regras sobre propaganda eleitoral.
A legislação eleitoral proíbe propaganda em árvores e jardins localizados em áreas públicas, mesmo que o material não cause dano ao patrimônio.
Embora bandeiras móveis sejam permitidas ao longo das vias públicas, desde que colocadas e retiradas diariamente e sem prejudicar o trânsito de pessoas e veículos, essa autorização não representa liberdade para ocupar qualquer espaço público.
No caso dos canteiros centrais, há precedente específico do TRE-RO reconhecendo a proibição.
Se é proibido, por que continua acontecendo?
É justamente esse o questionamento levantado diante da situação encontrada em Rolim de Moura.
Se comerciantes não podem utilizar os canteiros públicos para promover suas empresas e a própria Justiça Eleitoral já possui entendimento contrário à instalação de propaganda eleitoral nesses espaços, por que tantos canteiros continuam sendo utilizados por campanhas políticas?
Além da questão jurídica, a concentração de bandeiras pode provocar poluição visual e, dependendo da localização e quantidade, prejudicar a visibilidade de motoristas e pedestres.
Não se trata de impedir campanha eleitoral. Candidatos possuem o direito de divulgar suas propostas dentro das formas permitidas pela legislação. O questionamento é outro: as regras precisam valer para todos.
Se o espaço público não pode ser utilizado pelo empresário para promover seu comércio, também não deve se transformar em extensão de comitê eleitoral durante o período de campanha.
Agora, empresários cobram fiscalização e uma resposta clara das autoridades responsáveis sobre a utilização dos canteiros centrais de Rolim de Moura.
Afinal, se para o comerciante não pode, por que para candidato poderia?

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